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Para deixar a preguiça de lado

Entenda por que é tão difícil encarar o desafio de fazer exercícios físicos com regularidade e aprenda a transformar o sedentarismo em passado.

Semana que vem, mês que vem, ano que vem. Quando o assunto é fazer uma atividade física com regularidade, muita gente tem a resposta na ponta da língua. Mesmo sabendo da necessidade de se exercitar, pelo menos, 30 minutos por dia, a lei do mínimo esforço acaba prevalecendo. Mas por quê?

“Cada pessoa teria uma justificativa para isso”, diz a psicóloga e acupunturista Fernanda Menin. “Mas saber de algo intelectualmente não basta. Veja o exemplo do cigarro. Não há quem não saiba que ele faz mal e ainda assim as pessoas começam a fumar.”

Para Fernanda, o grande desafio é entender de onde vem a motivação para sair do plano das idéias e começar a malhar. O incentivo pode vir das mudanças estéticas causadas pelos exercícios, do novo estado de ânimo e bem-estar ou ainda do gosto de auto-superação diária.

“Felizmente, há várias maneiras de se sentir motivado, mas todas partem do mesmo ponto: a compreensão, não só intelectual, mas global, de que é preciso agir. Esse ‘estalo’ é a motivação para os primeiros movimentos.”

Fernanda lembra que uma razão para deixarmos as atividades físicas em segundo plano é a visão predominante que separa corpo e mente. “Estudamos continuamente para sermos cada vez melhores profissionalmente, trabalhamos com afinco para garantir uma condição confortável de vida, e nos esquecemos que isso tudo depende do bom funcionamento do corpo.”

Ai, que preguiça!

Depois de começar a fazer ginástica, vieram alguns dias de garoa fina, e compromissos inadiáveis. Aos poucos, o sofá foi se tornando mais macio do que antes e a agenda virou desculpa para tudo. Se você conhece essa história, sabe que a razão dessa mudança é uma velha conhecida.

A preguiça é inerente ao ser humano, como explica Fernanda, mas é preciso ficar de olho para não perder o limite. “Todo mundo é um pouco preguiçoso, mas isso se torna um problema quando passamos a adiar, constantemente, tarefas que nos propusemos a fazer.” E se nada for feito, a situação piora.

“Com o tempo, isso gera uma pressão interna, mas aí já temos tanta coisa acumulada para fazer que não sabemos nem por onde começar. Então adiamos mais um pouco e isso se torna um círculo vicioso de ansiedade e frustração.”

Claro que não há mal algum no ócio. De acordo com a psicóloga, é importante ter algumas horas livres para ficar sem fazer nada, já que isso permite que nosso corpo e nossa mente descansem e se recuperem para novas tarefas. Para ela, é preciso respeitar o próprio ritmo, desde que se faça aquilo que achamos que devemos ou as responsabilidades que assumimos.

Deixar a preguiça tomar conta, afirma Fernanda, é negligenciar aquilo que assumimos. “Aí você me diz: e se eu achar que devo ficar sem fazer nada? Neste caso, acho que, se você se enxerga honestamente, perceberá que, por mais que um ‘lado’ pense assim, há um outro empreendedor, pedindo para ser realizado o que está paralisado pela preguiça.”

Hora de se mexer

Se você se cansou de adiar o início de suas atividades físicas, é hora de seguir as recomendações de Osmar de Oliveira, médico esportivo e jornalista. Experiente no assunto, ele mostra como deixar a preguiça de lado e se exercitar de maneira eficiente e segura.

Faça exames
A primeira coisa a fazer é se submeter a um bom check-up. Se tiver até 30 anos, faça um exame clínico geral e um eletrocardiograma. Já quem está acima dessa idade necessita de um exame clínico, um eletrocardiograma de esforço e análises como hemograma, triglicérides, colesterol e glicemia.

Escolha o mais agradável
Pode ser na rua, em casa ou em uma academia. O importante é você fazer a atividade física de que mais gosta. Não adianta insistir na hidroginástica, por mais recomendado que seja, se você detesta ficar na água.

Opte pelo mais conveniente
Procure fazer atividades que sejam fáceis de serem encaixadas na sua rotina. Em vez de se programar para correr em um parque longe de casa, procure outro espaço mais próximo.

Pegue leve
Não é porque você está parado há um tempão que precisa compensar tudo na primeira semana. Comece com um programa de exercícios muito leve e depois vá progredindo no tempo e na intensidade de execução.

Aposte nas caminhadas
Para começar a se mexer, caminhe por 30 minutos. Depois de um ou dois meses, aumente o tempo para 40 minutos ou mantenha-se em meia hora, mas em passos mais acelerados.

Adapte-se à falta de tempo
Para se exercitar durante 30 minutos por dia, estacione o carro ou desça em um ponto de ônibus a uma distância de, aproximadamente, 10 minutos de caminhada até o trabalho. Ao retornar, você terá andado por 20 minutos. Para complementar, quando chegar à sua casa, faça, pelo menos, 10 minutos de alguma atividade como passear com o cachorro, cuidar do jardim ou dar uma volta no quarteirão.

Preste atenção em você
Alguns sinais de bem-estar vão começar a aparecer, como melhora do sono, da digestão, da respiração e de dores musculares. Ao atingir essas qualidades, você não vai querer perdê-las e vai manter a regularidade.

Fernanda Menin - Psicóloga e Acupunturista
Telefones: (11) 3285-4971/ 9642-5509
femenin@ig.com.br
Osmar de Oliveira - médico e jornalista esportivo
Tel: (11) 3825-3388
www.osmardeoliveira.com.br