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Parkour invade as ruas brasileiras

Este esporte radical faz seus praticantes subirem pelas paredes.

Parkour invade as ruas brasileiras
O parkour, esporte radical que mais cresce no mundo, está fazendo seus praticantes subirem pelas paredes. Na realidade, a atividade é uma nova forma de realizar percursos utilizando da capacidade física para saltar obstáculos como muros, carros e corrimões. No entanto, preservar a própria integridade física, realizar as manobras com rapidez e agilidade e não danificar nenhum objeto público são as principais regras que norteiam esta prática.

Segundo o psicólogo Eduardo Bittencourt, um dos primeiros traceurs (pessoa que pratica o parkour) do Brasil, a variedade quase infinita dos obstáculos faz com que o corpo seja trabalhado em sua totalidade. "O parkour transforma a cidade numa enorme academia, onde os praticantes acabam atuando de forma crítica em relação ao uso do espaço público", explica. "Não precisamos estabelecer relações ordinárias com nosso meio. Ao contrário, podemos reinventar sempre, transformar o mundo em algo mais interessante e melhor para todos", completa Bittencourt, que escreve para o site www.leparkourbrasil.com.br, um dos mais completos do País sobre o assunto.

A internet, por sinal, é o meio que melhor difunde o parkour em terras brasileiras. Foi através dela que, em janeiro de 2004, o designer gráfico Jacques Kauffmann viu pela primeira vez um dos vídeos do francês David Belle, considerado o precursor mundial da modalidade. Ele apresentou a novidade aos amigos Eduardo Bittencourt e Rodrigo Belgamo e, na semana seguinte, o trio já estava fazendo os primeiros treinamentos. O Orkut já tem mais de 30 comunidades sobre o tema e calcula-se que já existam mais de mil praticantes no Brasil.

Se o parkour só apareceu por aqui há alguns anos, na Europa ele existe desde a década de 80. Os amigos David Belle e Sébastian Foucan foram os criadores da modalidade, praticada originalmente nas ruas de Lisse, subúrbio de Paris. Eles foram influenciados pelas técnicas de salvamento dos bombeiros e dos combatentes da Guerra do Vietnã. Através de alguns filmes como "Yamakazi - Os Samurais dos Tempos Modernos" (2001), o esporte atravessou fronteiras e chegou aos quatro cantos do mundo. Coube a Foucan o desenvolvimento de uma outra vertente da modalidade: o freestyle parkour, que se baseia na estética dos movimentos, na criatividade e beleza das manobras.

O carioca Sarrazin Julien, de 31 anos, faz do parkour também um exercício mental. "Comecei a praticá-lo para conseguir realizar com meu corpo coisas que não tinha capacidade antigamente e, além disso, aprender a superar meus medos", conta Julien, que é professor de educação física. O psicólogo Bittencourt completa, propondo o desafio: "Ainda temos a mesma capacidade de interação com o ambiente, apenas reaprendemos a condicionamos nossos corpos para que possamos dominar o espaço novamente e explorá-lo da maneira mais eficiente e criativa possível".

Algumas dicas do instrutor Leonard Akira Hka sobre o Parkour:
- Os desafios são impostos pelos próprios praticantes, já que somente alguns conseguem fazer determinadas manobras, como os big jumps (saltos com mais de 3 metros e meio de altura). A regra é simples: não se deve tentar fazer um salto ou uma manobra para a qual você realmente não esteja preparado;

- Qualquer pessoa pode ser um traceour, mas somente se estiver com boa condição fisíca. Não devem praticar pessoas com problemas cardiovasculares, respiratórios, musculares etc... É indicado que a pessoa passe por uma avaliação física antes de começar a fazer manobras.

- Não é necessário nenhum equipamento. O parkour só exige uma roupa confortável e um par de tênis (de preferêcia, com amortecimento).

Sites interessantes sobre a modalidade:

www.abpk.com.br
www.leparkourtecnicas.blogger.com.br
www.leparkourbrasil.com.br