Saber interferir, momentaneamente, na respiração pode te ajudar em várias situações do dia-a-dia.
Se você ficou impaciente ao se deparar com este monte de letrinhas dispostas na tela de computador, encha os pulmões de ar e solte-o lentamente. Depois de repetir isto algumas vezes, pode ser que a leitura das próximas linhas fique mais fácil. Talvez, você até consiga chegar ao final deste texto sem pular parágrafos ou olhar para o relógio.
Não é só você que sente dificuldade para ler algo de seu interesse até o fim. Nestes tempos marcados pela velocidade, é duro parar por alguns minutinhos para se focar em apenas uma atividade. É que, à sua espera, parece haver uma infinidade de coisas mais urgentes. Uma lista de tarefas a serem cumpridas surge na cabeça, enquanto uma série de novidades te bombardeia a todo instante.
Com tantas informações e atividades a serem absorvidas, é natural que a sua respiração fique restrita ao tórax, em inspirações curtas. Por quê? Porque é assim que o seu corpo consegue se manter em alerta para tudo o que está acontecendo. Do ponto de vista fisiológico, isto quer dizer que o sistema nervoso simpático – aquele que acelera as batidas do coração e permite que o seu organismo responda a situações de estresse – está sendo solicitado quase o tempo inteiro.
E para voltar ao normal? Bom, é aí que está o problema. Depois de ficar “ligado” por horas a fio, ninguém consegue pegar no sono ou relaxar a musculatura com um estalo de dedos. Para compensar isso, o trabalho respiratório pode te ajudar, e muito. Aprendendo a interferir, conscientemente, na respiração, você tem a possibilidade de evitar que os efeitos do ritmo acelerado afetem o seu bem-estar.
“O sistema respiratório e o sistema nervoso se interagem o tempo todo”, explica Marcos Rojo, professor de Educação Física e Ioga. “Da mesma forma que o sistema nervoso muda imediatamente o padrão respiratório, no sentido inverso, podemos manipular a respiração para interferir no sistema nervoso.”
Para deixar mais clara a relação entre a respiração e a mente, Rojo dá um exemplo: “Quando você leva um susto, a sua reação é inspirar. Depois do sobressalto, a reação do seu corpo será expirar.” Sob o aspecto prático, isto significa que a saída de ar de seus pulmões está relacionada ao lado calmante do sistema nervoso autônomo. “Se a saída do ar for mais longa do que a entrada, ficamos mais tempo na predominância calmante do sistema nervoso parassimpático”, explica Rojo.
A idéia parece simples, mas se lembrar de que é possível interferir, momentaneamente, na respiração quando se está exaltado não é nada fácil. Neste caso, a ioga pode ser um bom caminho. “Outros métodos têm a possibilidade de contribuir para o restabelecimento do padrão respiratório adequado, mas nenhum detalhou tanto estas possibilidade como a ioga.”
Os benefícios desse restabelecimento, de acordo com Rojo, são relacionados às emoções e à melhora da nossa capacidade respiratória. Para começar a ter contato com as sensações causadas por uma respiração consciente, Rojo sugere que você encha os pulmões contando até quatro e, em seguida, os esvazie em oito tempos. “Se esta contagem for muito longa para você, reduza-a, mas mantenha sempre o dobro do tempo na expiração.”
Para o professor, não há receitas prontas que te farão ter um padrão adequado de respiração. “Para que isto possa ser corrigido, é necessário fazer alguns exercícios com interferências momentâneas e não passar o tempo todo achando que o certo é respirar ‘assim ou assado’. O importante, diz ele, é aprender a retirar os fatores que perturbam a maneira como você respira. “Para isto, é preciso tomar consciência da mecânica respiratória e dar ao organismo a capacidade de executá-la sem bloqueios.”
Serviço
Marcos Rojo - professor de Educação Física e Ioga
E-mail: rojo@usp.br
Site:http://www.marcosrojo.com.br










