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Colesterol Sanguíneo
Mecanismo plausível identificado que explica como o SAFA e o TFA aumentam o colesterol Lin J, Yang R, Tarr PT, Wu PH, Handschin C, Li S, Yang W, Pei L, Uldry M, Tontonoz P, Newgard CB, Spiegelman BM. Hyperlipidemic Effects of Dietary Saturated Fats Mediated through PGC-1beta Coactivation of SREBP. Cell. 2005; 120:261-73.

Cientistas identificaram um mecanismo molecular em camundongos que pode explicar, pela primeira vez, como os ácidos graxos saturados e trans podem aumentar as concentrações de colesterol sanguíneo quando comparados aos ácidos graxos insaturados, aumentando assim o risco de doença cardíaca.

Os achados elaborados nos estudos iniciais, entre outros, por Brown e Goldstein (Nobel 1985) que identificaram uma família de proteínas específica (SREBP) como reguladores principais dos genes envolvidos no metabolismo dos lipídios. Este estudo procurou e encontrou uma função reguladora da proteína recentemente descoberta, PGC-1beta. Controlando a síntese de lipídio pelo fígado, esta proteína atua como um dimer que controla a claridade da luz. Ela pertence a uma família específica de co-ativadores que interagem com outras proteínas para ligar e desligar os genes e ajustar sua atividade. Os ácidos graxos saturados e trans aumentam a quantidade de PGC-1beta. Como conseqüência, o metabolismo do lipídio no fígado é alterado através de uma cascata de sinais bioquímicos. Esta cascata envolve entre outros SREBPs, a família de proteína identificada pelos ganhadores do prêmio Nobel Brown e Goldstein. Ela resulta em uma produção aumentada de VLDLs*, os precursores do colesterol LDL no sangue, que aumenta o risco de doença cardíaca. É interessante observar que, vários ácidos graxos saturados e trans específicos (tanto o ácido vacênico dos laticínios quanto o ácido elaídico de óleos industrialmente hidrogenados) aumentam a quantidade de PGC-1beta de forma similar.

*VLDL = Lipoproteína de Muito Baixa Densidade

Comentário do expert
Antes desta importante publicação, não havia explicação aparente sobre como os ácidos graxos saturados e trans podiam aumentar as concentrações de colesterol no sangue quando comparados aos ácidos graxos insaturados. O presente estudo oferece um mecanismo plausível que envolve um papel importante para a proteína PGC-1beta. Os estudos foram realizados em camundongos. Como existem muitas diferenças no metabolismo de lipídios entre camundongos e homens, a relevância deste mecanismo em humanos ainda deve ser estabelecida. Apesar disso, este estudo oferece fortes evidências de que o PGC-1beta pode ser uma etapa importante ligando a ingestão dietética de ácidos graxos saturados e trans com as concentrações aumentadas de colesterol também em humanos.

Várias questões ainda devem ser abordadas. Por exemplo, a ativação do PGC-1beta em camundongos não apenas aumentou as concentrações de colesterol VLDL no sangue, mas também as concentrações de triglicérides, enquanto que em humanos apenas os ácidos graxos trans e não saturados aumentam as concentrações de triglicérides. Além disso, em camundongos não houve efeito da ativação de PGC-1beta sobre o colesterol HDL. Em humanos os ácidos graxos saturados aumentam o HDL e os ácidos graxos trans reduzem o colesterol HDL. Ademais, a forma na qual os ácidos graxos saturados e trans aumentam a quantidade de PGC-1beta ainda não foi revelada. Assim, este estudo não resolve todas as questões relacionadas com os mecanismos através dos quais os ácidos graxos nutricionais afetam os níveis de lipídio sanguíneo em humanos.

No todo, resultados promissores que precisam ser melhor explorados. Conforme os autores declaram, a modulação de PGC-1beta no fígado pode oferecer um alvo importante para a terapia de redução de colesterol, e talvez também para os ingredientes nutricionais.
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