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ARTIGOS E ENTREVISTAS
Becel Institute – Unilever Health Institute Adaptado pela nutricionista Rosana Perim Costa Mestre em Ciências da Saúde pela Escola Paulista de Medicina – UNIFESP Chefe Serviço de Nutrição Hcor - SP"
DOENÇAS CARDIOVASCULARES

Estima-se que até 2010 as doenças cardiovasculares serão a principal cause global de mortalidade. Segundo a Organização Mundial de Saúde, mudanças no estilo de vida associadas à urbanização, industrialização e globalização são as principais causas dessa situação (WHO, 2003). No Brasil, as doenças cardiovasculares já são responsáveis por 32% do total de mortes (figural 1).

Estão identificados numerosos fatores de risco, tanto para as doenças cardiovasculares como para a doença arterial coronariana, conforme apontam diversos estudos epidemiológicos. As dislipidemias têm sido estudadas extensivamente e foi demonstrado que pessoas de países, grupos sociais ou raças que consomem grandes quantidades de gordura têm níveis elevados de colesterol sérico e maior incidência de aterosclerose coronária e aórtica em relação àqueles que consomem menos gordura. (Kannel, 1984; Stamler, 1986) Como se sabe, a terapia nutricional é a primeira conduta terapêutica a ser adotada na prevenção e/ou tratamento das dislipidemias.

ESCOLHENDO A GORDURA CERTA

As gorduras têm papel importante no metabolismo do corpo humano. No entanto, escolher o tipo certo de gordura é mais importante que reduzir a quantidade de gordura consumida (Keys, 1965; Hegsted, 1993; Finnegan, 2003; Mensink, 2003). As gorduras dividem-se em 2 categorias principais de ácidos graxos: saturados e insaturados.

ÁCIDOS GRAXOS INSATURADOS

Os ácidos graxos insaturados têm um importante papel na manutenção da saúde cardiovascular: eles melhoram o perfil lipídico e reduzem o risco de doenças cardiovasculares.

MONOINSATURADOS, pertencentes à série ‘w-9’, cujo precursor é o ácido oléico, as principais fontes são: óleo de oliva, canola, azeitona, abacate e oleaginosas (castanhas, nozes, amêndoas). Dados epidemiológicos mostram que populações que vivem no Mediterrâneo possuem menor risco de desenvolver doenças cardiovasculares devido ao tipo de alimentação adotada, onde a principal fonte de gordura é o azeite de oliva associado ao alto consumo de cereais, vegetais e frutas.

POLIINSATURADOS são representados pelas séries ‘w-6’ (linoléico) e ‘w-3’ (‘alfa-linolênico’, eicosapentaenóico e docosahexaenóico). O ácido linoléico (‘w-6’) e o ‘alfa-linolênico’ (‘w-3’) são ácidos graxos essenciais, ou seja, não podem ser produzidos pelo corpo e precisam ser obtidos em quantidades suficientes pela dieta. Estes ácidos graxos têm papel fundamental para o crescimento, desenvolvimento e também manutenção da saúde. O ácido linoléico (‘w-6’) é encontrado principalmente em óleos de sementes (óleo de girassol, óleo de milho) e alimentos (molhos prontos para salada, maionese e margarinas) produzidos com esses óleos. Da mesma maneira, o ácido ‘alfa-linolênico’ (‘w-3’) é encontrado em óleo de sementes como o de soja e linhaça e em produtos originados a partir destes óleos. No organismo humano, o ‘alfa-linolênico’ (‘w-3’) sofre processo de alongamento e desidrogenação da cadeia, podendo transformar-se em ácidos eicosapentanóico (EPA) e decosaexaenóico (DHA). Estes também estão presentes em peixes de águas muito frias e profundas, como: salmão, sardinha, cavala, arenque. Quando ingeridos em grandes quantidades, melhoram o perfil lipídico, reduzindo os níveis de triglicérides plasmáticos por inibição da secreção de VLDL, melhoram a viscosidade do sangue, diminuem a agregação plaquetária, promovem maior relaxamento do endotélio e alguns estudos mostraram também um efeito anti-arritímico e antiinflamtatório.

Os ácidos graxos poliinsaturados ‘w-6’ e ‘w-3’ (‘alfa-linolênico, EPA e DHA) contribuem de formas distintas para a saúde cardiovascular: para o ‘w-6’ existe um consenso do efeito na redução dos níveis de colesterol, no entanto a forma pela qual os ácidos graxos da família ‘w-3’ agem não está completamente clara.

ÁCIDOS GRAXOS SATURADOS

Aumentam os níveis colesterol total e da fração LDL. Elevam a colesterolemia por reduzirem receptores celulares, inibindo a remoção plasmática das partículas de LDL. Para diminuir o consumo de ácidos graxos saturados, aconselha-se a restrição na ingestão de gordura animal (carnes gordurosas, leite e derivados), póla de coco e de alguns óleos vegetais (dendê e coco).

ÁCIDOS GRAXOS TRANS

Aumentam os níveis colesterol total e da fração LDL, e diminuem o HDL. Pela semelhança estrutural com a gordura saturada, também provoca elevação da colesterolemia, apesar de ser uma gordura insaturada. As gorduras trans estão presentes em nossa dieta provenientes de diversos alimentos tais como óleos parcialmente hidrogenados, carne bovina e produtos lácteos. Elas são naturalmente originadas no processo de hidrogenação parcial de óleos vegetais (processo pelo qual os óleos vegetais líquidos à temperatura ambiente são transformados em gorduras mais consistentes) e encontradas geralmente em produtos industrializados como salgadinhos de pacotes, biscoitos recheados, bolos, temperos, gorduras para fritura e margarinas, entre outros. Nos produtos de origem animal (leite, manteiga, carnes) são encontradas em menor quantidade e formadas pelo processo de ruminação dos animais que fornecem estes subprodutos. Já existem tecnologias que permitem a fabricação de gorduras processadas sem a formação de ácidos graxos trans.

VITAMINA E

O estresse oxidativo pode contribuir no desenvolvimento das doenças coronarianas. A vitamina E é uma dos principais antioxidantes lipossolúveis na nossa dieta. O consumo de vitamina E protege os poliinsaturados contra a oxidação no organismo. A vitamina E é um dos principais antioxidantes lipossolúveis na nossa dieta. Está ligada às gorduras, protegendo as membranas celulares e as lipoproteínas contra a oxidação, que pode ocorrer quando há um excesso de radicais livres, redução nos níveis de antioxidantes ou ambos (Lusis, 2000). Apesar do consumo de altas doses de vitamina E não diminuir o risco de doenças cardiovasculares (Eildelman, 2004), é recomendado que adultos consumam pelo menos 10 a 15mg de vitamina E por dia.

Margarinas com alto teor de ácidos graxos insaturados com os ácidos linoléico e ‘x-linolenico’ desempenham um importante papel na manutenção da saúde cardiovascular, promovendo uma ingestão balanceada de gorduras, permitindo assim melhora do perfil lipídico. São importantes fontes das vitaminas A, D e E.

ÁCIDO FÓLICO, VITAMINAS B6 E B12

Os alimentos naturalmente ricos em ácido fólico (como as frutas e as verduras) e em vitaminas B6 e B12 são efetivos na redução do nível da homocisteína que, quando elevado, é um fator de risco para a saúde do coração.

Como muitas pessoas não consomem o suficiente destas vitaminas, os alimentos enriquecidos ajudam no alcance da ingestão diária recomendada para as vitaminas do complexo B. Assim, Becel, com o balanço adequado de ácidos graxos, perfil lipídico livre de ácidos graxos trans e também adicionada de ácido fólico, vitaminas B6 e B12, ajuda as pessoas a manterem coração e vasos sanguíneos saudáveis. Bibliografia

Eldelman RS, et al.Ranzomized trials of vitamin E in the treatment and prevention of cardiovascular disease. Arch Intern Med 2004; 164:1552-6 Hegsted DM et al.Dietary fat and serum lipids: an evaluation of experimental data. Am J Clin Nutr 1993; 57: 875-83 Kannel WB et al. Framingham Study. N Engl Med 1984; 311:1144-47 Keys A.Seven Countries Study. Circulation 1970; 41: 1-211 Lusis Aj.atherpsclerosis.Nature 2000; 407: 233-41 Mensink RP, et al. Effects of dietary fatty acids and carbohydrates on the radio of serum total o HDL cholesterol and on serum lipids and apolipoproteins: a meta analysis of 60 controlled trial. Am J Clin Nutr 2003; 77: 1146-55 Stamler J et al. MRFIT Study. JAMA 1986; 256:2823-8 WHO Technical Report Series 916. Diet, nutrition and the prevention of chronic diseases. WHO, Geneva 2003. Dietary Fat and Heart health: Spreading the Latest Science

Material elaborado pelo Becel Institute – Unilever Health Institute Adaptado pela nutricionista Rosana Perim Costa Mestre em Ciências da Saúde pela Escola Paulista de Medicina – UNIFESP Chefe Serviço de Nutrição Hcor - SP